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Kolofe Mãe Andreia
Sou zelador de santo tenho casa aberta há muitos anos.
Fiz tudo por um filho de santo, até dividas fiz para tirar esse santo noites de sono perdidas, briguei com o mundo por ele veio pessoas falar mal dele, pai de santo que mi alertaram dizendo que ele era furador de ronco, mas eu não acreditei e no final com apenas nove meses de santo ele abandonou minha casa dizendo que queria um tempo para pensar
quando se sentir pronto voltaria para conversar, escrevo esse email em lágrimas num desabafo que dói muito no coração.
O que fazemos para nos proteger da ingratidão mãe? Choro todas as noites porque é como se perdesse uma parte de mim, um filho meu biológico. Diga-me algumas palavras de conforto oriente minha velha com sua sabedoria.
Seu kolofé.

Sacerdotisa Andreia Camargo responde:
Kolofé meu querido.
O grande problema está simplesmente na palavra “Pai ou mãe” porque um sacerdote ou sacerdotisa não é pai nem mãe dos iniciados, são sacerdotes, mestres de vida, há um grande equivoco e se cria uma grande afeição sentem-se como si fossem pai ou mãe biológicos dos iniciados. Esse é o grande erro, como sacerdotes não devemos nos apegar, sentir que aquele iniciado seja propriedade da casa ou do sacerdote, esse sentimento de posse é errado eles foram encaminhado pelo sagrado para que houvesse esclarecimento e orientação espiritual, mas isso não significa que essas pessoas devam estar ligadas eternamente a seus sacerdotes porque isso se torna uma escravidão espiritual. Não somos mães nem pais de quem nos procura em busca de uma ajuda, somos sacerdotisas e sacerdotes e deixaremos de sofrer a ingratidão quando passarmos a enxergar cada pessoa que nos procura como seres que estão de passagem em nossas vidas, o segredo é desapegar e não criar vínculos fazer a sua parte no espiritual e exercer a sua função de sacerdote, não queira acorrentar ninguém deixe livre e dessa forma essas pessoas se sentirão mais a vontade para permanecer em suas casas espirituais, não imponha a sua verdade a ninguém, cada ser humano nasce livre e deixando-os livre estará fazendo a verdadeira função de um sacerdote que é de orientar, ajudar, aconselhar, mas respeitando o livre arbítrio de cada um até mesmo filhos biológicos abandonam seus pais não poderia ser diferente em relação os chamados filhos de santo. Cada pessoa que passa pela sua vida e que você chama de filho foi encaminhado pelo sagrado para que você fizesse a sua parte como sacerdote, mas ninguém disse que você deveria se endividar, ou fazer grandes sacrifícios por alguém isso foi uma decisão sua, mas no momento que você está jogando ao vento tudo que fez por essa pessoa perde todo mérito da caridade. Desapegue e siga em frente tudo é experiencia e aprendizado, continue ajudando quem precisa sem lamentar-se do que fez caso essas pessoas se afastem de sua vida a sua missão não é ser pai e sim sacerdote é muito importante entender o significado da palavra e distinguir genitor de sacerdote. Seja um guia espiritual, seja uma luz no fim do tunel para quem o procura, um sacerdote e não um pai! So permanece ao teu lado quem o vodum/Orixa/Nkice escolhe.

Ninguém é obrigado a estar ao seu lado a vida toda, mas você pode escolher a quem poderá estar com você por toda vida.


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