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Mutumba mãe Andreia
Espero que esteja tudo bem com a senhora.
Sou feito no Ketu tenho 19 anos de santo sou do Ogun
Leio sempre sua coluna e resolvi escrever para expor meus problemas. O meu problema é que vejo muita polemica em torno do candomblé sobre o sacrificio de animais gostaria de saber qual a sua posição e sobre alguns estarem sacrificando cachorro para Ogun o que a senhora tem a dizer disso?
Espero ansioso ler sua posição sobre assunto tão polêmico.
Um forte abraço e sua abença mais uma vez.

sofo
Sofo Andreia Camargo responde:
Mutumba l’asé – mutumba
Estou bem graças aos voduns, obrigada por perguntar!
Fico feliz que você me acompanha lendo sempre essa coluna sobre o candomblé.
Vamos as suas perguntas, Não vou entrar no mérito que sangue é vida e através dele se renasce, Os elementos portadores de axé podem ser agrupados em três categorias: sangue vermelho, sangue branco, sangue preto, sobre sacrifício de animais, tudo deve ser feito sem tirar a dignidade do animal, e sem torturas, isso é contra as leis da natureza, visto que nossa religião é a defensora da natureza, é obvio que cada praticante a respeite e a preserve, quanto a questão de sacrifícios no candomblé, isso é uma campanha religiosa contra os candomblecistas que estão sendo atacados por outra religião extremista, pois sacrifícios de animais ocorrem em outras religiões e ninguem fala nada, sabe quantos porcos e perus são sacrificados para o natal para celebrar o nascimento de Cristo? Pois isso se chama hipocrisia, olhar o fundo das calças do vizinho é mais facil que olhar o seu proprio. Quanto a questão de sacrificar cachorros eu sou contra porque sendo a nossa religião o candomblé, não é africana, é de origem mas não é, e nossos ancestrais que fundou o candomblé não nos ensinaram essa prática e além do mais na Africa eles sacrificavam cachorros selvagens, lembrem-se que o culto ao orisha na Africa nasceu de tribos indígenas africanos ha milhares de anos, calcula-se que dez mil anos antes de Cristo, nossa religião, nasceu de práticas indígenas, com muitos costumes primitivos, mas no Brasil o candomblé é uma religião nova,  não conheço nada que nos liga a sacrifícios de cachorros, isso no candomblé não existe na minha concepção. O que ocorre é que alguns sacerdotes  resolveram importar uma prática que o candomblé não tem, isso não é uma prática do candomblé, porque no momento que você quer purificar os nossos costumes para que fique igual ao culto dos Orishas/vodun/Nkice da Africa, você foge da vertente de nossos antepassados que construiram o candomblé, passando por cima de nossos ancestrais que aqui nos deixou um legado rico que foi construído dentro de senzalas, com muito sofrimento e dor, hoje algumas pessoas ignorando toda essa trajetória resolvem inventar costumes que nossos ancestrais não praticavam.
Espero ter ajudado. E mais ainda, espero que não façam a ignorância de sacrificarem cachorros, gatos sem necessidade, isso é pura loucura.
Amem os animais, amem a natureza, respeitem-a se você é de candomblé, “não deve jogar lixo na rua“, você está pisando num chão sagrado, lembre-se a terra é viva e a prova disso è Ayzan, Onilé,  não cuspa na face da mãe Terra nem jogue lixo em sua face. Quem é de candomblé não é só para colocar baianas e colocar torsos engomados, candomblé é muito mais que isso é o respeito pela natureza. Respeitem e só assim vocês poderão dizer que são verdadeiros, Vodunsis, omorishas, muzenzas, umbandistas, etc…

O Rei Dan é vivo!

Dangbe Gbenoi

Obs.: Jogar lixo na rua, refiro-me a carcaça de restos de animais expostos em plena cidade onde passa crianças, alguidares, garrafas quebradas, isso tudo vai contra ao credo do candomblé, somos defensores da natureza e não destruidores dela, ironicamente quem deveria defender está sujando sem contrôle, usem fôlhas no lugar de alguidares, despejem o líquido da garrafa, não deixem garrafas pelas ruas de sua cidade. 

vanni.camargo@gmail.com

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